Estudo de Indicadores de Bem-estar animal em quatro explorações de vacas leiteiras no entre Douro e Minho



Dissertação de Mestrado em Engenharia Zootécnica

Instituto Politécnico de Viana do Castelo
Escola Superior Agrária de Ponte de Lima

Alice Moreira

 

 

O ambiente e a higiene corporal da vaca têm influência sobre a qualidade do leite e o risco de mastite, uma vez que o grau de higiene corporal reflete a exposição da vaca a agentes patogénicos. A principal barreira contra a entrada de agentes causadores de infeção no úbere é o canal do teto, assim, um descurado maneio dos animais, pode levar ao aparecimento de anel espesso no orifício do teto (hiperqueratose), acabando esta patologia por ser um indicador de bem-estar importante (Neijenhuis et al., 2000). O comportamento é um indicador da relação homem-animal podendo ser avaliado durante a ordenha, nomeadamente a frequência de passos e coices, como resposta à manipulação do ordenhador (Waiblinger et al., 2006; Peters et al., 2007).

A componente prática deste trabalho foi realizada em 4 explorações entre novembro de 2013 e maio de 2014, tendo sido acompanhadas 213 vacas durante a ordenha da noite. Para a avaliação da higiene recorreu-se à metodologia de Cook (2002), na identificação dos casos de hiperqueratose recorreu-se a Neijenhuis et al. (2000) e para a avaliação do comportamento na ordenha (passos e coices) utilizou-se a metodologia publicada por Rousing et al. (2006). Para análise estatística utilizaram-se os programas Excel 2010 e SPSS versão 20, para determinar alguns efeitos na CCS e de comportamento na ordenha utilizou-se um modelo de ANOVA e o teste de comparação de médias Tuckey.

O úbere foi a região anatómica que revelou maior grau de limpeza (36,3%) e aproximadamente 62% do efetivo apresentou CCS superior a 200.000 cél/ml, dos quais 14,5% registaram valores superiores a 700.000 cél/ml. Não se encontraram diferenças significativas (P>0,05) na CCS para diferentes graus de higiene nas regiões corporais estudadas, no entanto, verificou-se um acréscimo de CCS, proporcional ao grau de sujidade dos animais para as regiões da coxa e flanco e do úbere. Cerca de 12% dos animais não revelaram nenhum tipo de hiperqueratose, observando-se um total de 36,1% com grau de calosidade rugoso dos tetos, tendo 8,2% revelado hiperqueratose severa. Os tetos anteriores foram mais atingidos pela hiperqueratose do que os posteriores. Observou-se em média 6,3±4,6 passos por ordenha, tendo a maioria das vacas (55,6%) manifestado entre 1 a 6 passos e apenas 20% dos animais demonstraram coices durante a ordenha. Não se observou efeito (P>0,05) da ordem de lactação nem da produção de leite aos 305 dias no número de passos durante a ordenha.

Palavras-chave: bem-estar; higiene; células somáticas; hiperqueratose e comportamento. 


Fonte: Alice Moreira
Data de publicação: 2016-02-19 09:02:33

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