História da Sericicultura em Portugal. Desde o início do século XIX até ao início do século XXI



No decorrer do 1º Encontro de História da Ciência no Ensino, realizado no dia 27 de Maio de 2015 na Universidade Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real foram apresentados um conjunto de três trabalhos subordinados ao tema: História da Sericicultura em Portugal. Origem e Utilização Actual dos Bichos-da-Seda e da Seda pelo o Professor Doutor Jorge Azevedo.

Estes trabalhos foram realizados com a colaboração Maria Alexandra Mascarenhas e Ana Mascarenha, sendo este o último.

 

RESUMO

 

No século XIX continuou o apoio à sericicultura e à indústria da seda, em Portugal, atingindo o seu auge no período 1861-1865, como consequência do défice de matéria-prima em Espanha, França e Itália, entretanto atingidos por epidemias, que só foram debeladas com a actuação de Louis Pasteur. Beneficiaram do isolamento geográfico as principais zonas sericícolas - Trás-os-Montes e Beira Alta, então percorridas por
comerciantes estrangeiros para adquirir grandes quantidades de casulos. Esta procura rapidamente diminuiu fruto dos acréscimos dos custos de recolha dos casulos e porque foi encontrada solução para as doenças nos restantes países da Europa, que não em Portugal, aonde as mesmas se instalaram com vigor em 1867, para em 1870 e 1871 se terem expandido em todo o distrito de Bragança (Cordeiro, 1996). Quando a
procura aumentou, acompanhada de um aumento dos preços, não se verificou uma modernização da produção nem da indústria, que mantiveram o atraso secular associado a estas actividades. A modernização teria de passar pela industrialização da fiação e torcedura, o que levou sucessivos governos a publicar “planos de regeneração da sericicultura portuguesa” (Cordeiro, 1996). O problema identificado foi sempre o mesmo – falta de produção de grandes quantidades de folhas de amoreira para que se pudesse aumentar a criação de bichos-da-seda. As condições de produção de amoreiras e a criação de bichos-da-seda sendo consideradas como muito favoráveis em Portugal, não foram, no entanto, suficientes para ultrapassar os constrangimentos de vária natureza, dos quais se destacam os estruturais, políticos, socioeconómicos e de mercado, que originava seda de má qualidade, rapidamente abandonada pelos industriais do sector. Os actuais e os futuros sericicultores, bem como os industriais do sector têxtil podem ser apoiados no actual Quadro Comunitário(2014-2020), não só para aumentar a produção de casulos de modo técnica e
economicamente viável, mas também para produzir fio e tecidos de seda de elevada qualidade. Foram estas ordens de razões que nos motivaram a escrever estes três artigos, dos quais este é o ultimo. Os bichos-da-seda podem ser utilizados não só para a produção de seda, mas as lagartas e pupas, também para a alimentação animal e até para a alimentação humana.


Palavras-chave
Bicho-da-seda, seda, sericicultura, sirgo, Portugal

 



 Parte III

 

 

 

Contactos do Autor: 
Jorge Azevedo
Coordenador de Portugal da BACSA
(The Black, Caspian Seas and Central Asia Silk Association)

Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Escola de Ciências Agrárias e Veterinárias
Departamento de Zootecnia
5000-801 Vila Real • PORTUGAL
Telefone: +351 259 350 416
E-mail: jazevedo@utad.pt

Professor Doutor Jorge Azevedo

 


Fonte: Professor Doutor Jorge Azevedo
Data de publicação: 2015-06-15 16:37:07

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