História da Sericicultura em Portugal. Desde o início do Século VIII até Final do Século XVIII



No decorrer do 1º Encontro de História da Ciência no Ensino, realizado no dia 27 de Maio de 2015 na Universidade Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real foram apresentados um conjunto de três trabalhos subordinados ao tema: História da Sericicultura em Portugal. Origem e Utilização Actual dos Bichos-da-Seda e da Seda pelo o Professor Doutor Jorge Azevedo.

Estes trabalhos foram realizados com a colaboração Maria Alexandra Mascarenhas e Ana Mascarenha, sendo que ao longo das próximas semanas serão divulgados pelo nosso portal.

 

RESUMO

A Rota da Seda, que chegou a ligar Portugal à China é um tema aliciante, porque nos permite fazer uma viagem no tempo, e levar-nos para períodos muito anteriores aos dos Descobrimentos, em que o comércio se fazia essencialmente por terra e embarcações entre a Ásia e a Europa. A primeira descrição da Rota da Seda (Seidenstraße1 ), foi efetuada pelo Barão Ferdinand von Richthofen (Kreutzmann, 2007). Em 2014 a UNESCO, classificou com Património da Humanidade, sob proposta da China, Cazaquistão e Quirguistão, uma parte de 5 mil km, da extensa rede de Rotas da Seda, que se estende desde Chang´an/Luoyang (capital central da China nas dinastias Han e Tang) até à região de Zhetysu da Ásia Central. Essa rota foi importante desde o século II a.C. até o século XVI, na troca de bens materiais, e na divulgação de conhecimento científico, inovação tecnológica e de práticas culturais e arte. Este artigo que abrange o período anterior à nacionalidade portuguesa até aos finais do século XVIII, é o segundo de uma série de três, e pode-se verificar neste período de tempo, por vezes, grande interesse pela dinamização da sericicultura e outros períodos de completo abandono desta atividade. A descrição editada em 1900 transcreve bem o pensamento de alguns autores acerca da sericicultura: “E uma agricultura, esta da seda, com que no espaço de três meses se faz a colheita. É negócio com que, sem correr mares e arriscar vidas, sem embaraçar mercancias, nem esperar retornos, na própria casa com os domésticos se trata. É uma mecânica sem a qual não poderia trajar a nobreza nem com mil castas de paramentos luzir a igreja. É uma fábrica em que cada morador, sem portas nem janelas faz no ar uma casa em que certos dias se agasalha. É uma vindima cujos obreiros deixam aos donos o fruto e se contentam com a folha. E oficina em que os oficiais naturalmente são tecelões, e a seu tempo, de dia e de noite trabalham. É uma feira em que só um género tem saída e em todas as casas têm entrada. Finalmente é uma mina de oiro em fio; e tão rica, que seu preço tem tudo quanto dela se tira” (Laurent de l'Arbousset [Rocha Peixoto] -citando Bluteau, 1900).

Palavras-chave: Bicho-da-seda, seda, sericicultura, sirgo, Portugal

 



 Parte II

 

 

Contactos do Autor:
Jorge Azevedo
Coordenador de Portugal da BACSA
(The Black, Caspian Seas and Central Asia Silk Association)

Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Escola de Ciências Agrárias e Veterinárias
Departamento de Zootecnia
5000-801 Vila Real • PORTUGAL
Telefone: +351 259 350 416
E-mail: jazevedo@utad.pt

Professor Doutor Jorge Azevedo

 


Fonte: Professor Doutor Jorge Azevedo
Data de publicação: 2015-06-08 11:23:00

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